Shoko Suzuki: presente de ano novo

Hoje, ganhei um presente. E não foi um presente qualquer. Conheci o ateliê da admirada Shoko Suzuki. E o mais bacana é perceber a pessoa humorada que ela é no auge dos seus 87 anos.  Ivone Shirahata, do Ateliê Terra Bela em Cotia,  é a guardiã da obra da Shoko e nos recebeu e nos acolheu nessa visita.

Saber a história da artista é uma benção. Shoko é de uma família de Samurais. Não poderia passar por lá e não deixar esse registro aqui no blog. Inclusive, durante  muitos anos uma série de documentos e mapas estavam em seu poder . Importantes documentos de sua família que representam parte da história de um Japão muito distante de nós. Shoko inclusive, foi ao Japão para deixar essa documentação com seu país em um museu local.

Fotografei até um mapa de estratégia de guerra, de seus ancestrais samurais, que a Shoko devolveu ao Japão. Ainda, nessas fotos há  um documento com nome “ preceito de conduta para o espadachim”

Como não se encantar com esse universo?

E também  perceber , inclusive, o que é comum na história da arte, que o trabalho do artista ceramista, ( no tempo de formação da Shoko) era um trabalho do universo masculino. E que as artistas mulheres eram minoria. A Shoko é uma mulher a frente do seu tempo, assumindo um trabalho entendido como ”pesado  ou pouco feminino”…o tempo nos favoreceu…

Outro ponto, é a poética da artista. Ela encara o tempo como parte do processo e nos diz ”Cerâmica não se faz agora” (!)

Sua mais recente série de trabalhos “Cosmos” é executada pela artista reverenciando a natureza e sua manifestação. Ela inclusive produziu uma série de peças que para mim são amuletos e pequenos Cosmos que vc pode ter consigo…

Em um encarte sobre o seu trabalho ela diz: “…acho que as experiências e sofrimentos durante a Segunda Guerra Mundial, me levaram a pensar sobre o sentido da vida, entre outros motivos. Desde aquela época, passeia a experimentar uma sensação muito especial ao estar envolvida com as cerâmicas, algo como o amor, harmonia, delicadeza e de vida em si. Com a cerâmica, sinto como estivesse protegida por um profundo carinho materno e, ainda, tomada por um misterioso sentimento de que isso é duradouro. Foi por isso que me apaixonei pela cerâmica”.

Esse encontro, foi muito fascinante e me deixou muito pensativa. O valor dessa tarde para mim é inestimável.A sorte de encontrar Sandra Tenguan que me convidou e me levou até Ivone, o carinho, a atenção, a reverência, o respeito. Tantas delicadezas. Esses momentos me fizeram voltar a pensar sobre arte, poética e relembrar antigas perguntas …O que pode ser a Arte? Será que de maneira particular, os trabalhos artísticos sabem encarnar a universalidade dos afetos humanos?

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